André Mendonça, Marcelo Bretas e William Douglas (Reprodução

O tipo de ministro “terrivelmente evangélico” que almejamos para o STF



Os evangélicos aguardam, ansiosamente, pelo nome “terrivelmente evangélico” a ser indicado pelo presidente da República para o Supremo Tribunal Federal (STF). Resolverá o que aquilo se tornou? Evidentemente que não. Só o Senado resolve o embuste do Supremo. E isso passa pelo povo, o que torna o processo longo e demorado. Mas um ministro evangélico já é um começo.

Há bons nomes que figuram entre os “candidatos”, mas os evangélicos não têm preferências, desde que se enquadrem em alguns requisitos. E, partindo do básico, sendo terrivelmente evangélico o ministro deverá ter uma visão bibliocêntrica, ou seja, ver a Bíblia como única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão (2 Timóteo 3.14-17). Qualquer coisa fora disso é — parafraseando a própria Bíblia — de procedência do diabo.

O que entendo com o termo “terrivelmente”, ou o que quer que isso signifique no contexto proposto, é que o jurista a ser indicado terá pleno alinhamento com o pensamento cristão. Isso significa despreparo técnico? Pelo contrário! Significa alguém tecnicamente preparado e moralmente alinhado com a cultura judaico-cristã. Antes tarde do que nunca!

Se for “terrivelmente evangélico” mesmo, o tal indicado deverá considerar que a ética cristã não permite nenhum alinhamento com o que pareça desonesto, chamamos isso de aparência do mal (1 Tessalonicenses 5.22). Não há comunhão entre a luz e as trevas (2 Coríntios 6.14,15). Nós, cristãos evangélicos, não temos parte com qualquer indivíduo que busque tirar vantagem, enganar, mentir ou agir de maneira desonesta.

Ética Cristã x Ética Jurídica

Pois é… Conceitualmente, ética é o estudo crítico do que é moral ou imoral, do que é correto ou errado, dos valores que permeiam a sociedade. Portanto, ética é uma somatória, um conjunto de escolhas que podem definir se os valores do indivíduo são moralmente aceitáveis ou não. Isso quer dizer que a Ética Cristã e a Ética Jurídica são idênticas? Não. Algo que pareça bom para a fé cristã pode ser condenável pela Ética Jurídica. E vice-versa.

É eticamente aceitável os privilégios exorbitantes que ostentam os membros do Judiciário? Diga-me o leitor! Juridicamente pode ser correto que um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) receba um auxílio-moradia de R$ 11 mil por mês, mas isso é com toda certeza condenável pela Ética Cristã. Não há como argumentar que no país em que vivemos, com 11 milhões de pessoas vivendo em favelas ou em moradias consideradas precárias, um cristão considere normal receber, além do alto salário, um auxílio de R$ 11 mil por mês.

A Bíblia diz em Salmos 41.1: “Bem-aventurado é aquele que considera o pobre; o Senhor o livrará no dia do mal”. Considerar o pobre não diz respeito apenas ao ato de fazer caridade. Para o rico, fazer caridade é um “hobby”, uma prática que muitas vezes só é observada para gerar algum status diante da sociedade. No entanto, considerar o pobre é saber que os privilégios de certa classe política e de muitos no serviço público significa uma evidente exploração dos mais necessitados.

Mas, convenham, dos males todos, o menor. O auxílio-moradia, moralmente inaceitável, é só um dos privilégios que parece escarnecer da população pobre. Eles recebem ainda o equivalente a R$ 12 milhões em auxílio-alimentação para 11 ministros. Quase R$ 90 mil por mês para alimentação. Qualquer ministro “terrivelmente evangélico” que aceite esse disparate, já deve de cara abandonar o uso do termo evangélico. Sugiro que passe a usar “terrivelmente imoral” ou “terrivelmente insensível”.

Se granjeia ser reconhecido como luz e sal, o indicado terá de mostrar já de início que não pensa apenas em si. Terá de abrir mão de muita coisa para demonstrar que realmente observa a Palavra de Deus. E isso é só o começo! Há ainda os 222 funcionários que cada membro do Supremo tem a sua disposição, o que explica a bolha que se criou em torno daquela trupe.
Bíblia x Constituição

Vamos dizer com todas as letras: os conselhos bíblicos devem estar na mente e no coração do indicado pelo presidente como representação do segmento evangélico. Sim, o indicado carregará — além do peso natural — o peso de estar representando os valores cristãos. Sua justiça terá de ser muito superior à dos juristas que já integram a Corte (Mateus 5.17-20).

Em Lucas capítulo 18, do versículo 2 ao 5, Jesus Cristo conta uma parábola envolvendo um certo juiz que, segundo descreve, “nem a Deus temia, nem respeitava o homem”, mas que acabou atendendo ao pedido de uma certa viúva, fazendo justiça, pelo fato de esta o ter o importunado muito. Que nosso futuro ministro não espere a pressão popular para agir por aquilo que é correto. Que tenha juízo, o que significa ter sabedoria, discernimento e bom entendimento (Deuteronômio 32.28, Provérbios 24.30, Provérbios 10.21, Provérbios 17.18).

Que triunfe a reta justiça! Sim, é preciso que se diga “reta” na mesma frase que “justiça”. Pois temos visto que em meio a manobras mirabolantes, é possível para um ministro do STF tornar “justiça” o que é “injusto”. Explico: nos últimos anos o Supremo virou sinônimo de coisa ruim, de patifaria, de vergonha. Entre mocinhos e bandidos, a Corte escolhe sempre a bandidagem.

Vale a seguinte advertência: “Ai dos juízes injustos e dos que decretam leis injustas, que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos!” (Isaías 10.1,2).

Como enfatiza Provérbios 14.34: “A justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo”. E também podemos ler que “quando se faz justiça, o justo se alegra, mas os malfeitores se apavoram” (Provérbios 21.15).

Concluo, portanto, lembrando que lisonjas e bajulação para quem não merece é também um ato de falsidade. Ou seja, o novo ministro terá o desafio de manter distância daqueles que já estão por lá e agem com desonestidade e arrogância. “Não se deixem enganar: As más companhias corrompem os bons costumes”, disse Paulo em 1 Coríntios 15.33.

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